Rebelem-se.

2 de setembro de 2018

A energia do monumento a Zumbi dos Palmares, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, robusteceu os corpos cansados de dias a fio de campanha eleitoral com longas caminhadas para panfletagens, palestras, comícios e engarrafamentos no trânsito entre uma e outra cidade do Estado.

Nesse fim de semana acompanhei Marina Silva desde a manhã de sexta-feira até a noite de sábado, em sucessivos compromissos que compunham um mosaico com empreendedores bem sucedidos, donas de casa, outros trabalhadores e aturdidos desempregados.

A questão fora da rotina é a simbologia atual de Zumbi dos Palmares, a unir a ancestral rebeldia contra a escravidão com a necessidade atual de rebeldia pacífica do povo brasileiro de todas as cores e origens contra as novas formas de escravidão.

Do alto de seu monumento o símbolo parecia chamar a atenção para o momento que vivemos. Escravos da corrupção política, da violência, dos trens lotados, dos transportes em geral que faltam em condições e horários civilizados a consumir de três a quatro horas o deslocamento de casa ao local de trabalho.

Estivemos em Nova Iguaçu, São João de Meriti e Caxias, de onde partimos para Fundição Progresso, já na cidade do Rio de Janeiro. Em todos os lugares éramos recebidos com afagos e sorrisos, com as bem-vindas selfies, em muitos casos.

Porém, com linguagens próprias, as preocupações com o presente e o futuro eram comuns. A insegurança com os rumos do Estado e do País é a mesma revelada por jornalistas em seus veículos. A estes últimos, não cabe, nos padrões de nossa era, convocar o povo a rebelar-se. Cabe a nós.

A indignação não pode ficar guardada no peito de cada um. Deve explodir na ira santa que consagrou a pregação do saudoso Teotônio Vilela na luta pela democracia.

As lamentações cochichadas têm que se transformar em reação cívica, pelo voto.

Não se abstenham, não faltem, não votem em branco, não anulem o voto, senão, no fim do filme, os bandidos de sempre ganharão. A luta de Zumbi está perpetuada e é exemplar. Ele foi perseguido até a tortura e o assassinato.

Hoje, não percebemos, mas já vivemos sob o jugo do mesmo domínio da violência crescente, que tem que ser abatida pela vontade consciente do povo.