Os Crimes Continuam.

13 de setembro de 2018

Parece haver uma conspiração contra as pessoas inseguras pelos índices crescentes de criminalidade a vitimar indistintamente a todos e, em maior quantidade, as mulheres.

No período eleitoral, os espaços na mídia e o tempo dos jornalistas estão mais voltados para as sabatinas, entrevistas e debates com candidatos, enquanto governantes aplicam-se à vitória de seus preferidos.

Há um vazio na preocupação com o que está se passando no mundo real, onde se multiplicam as ousadas investidas de pivetes ágeis no ato de arrancar um cordão, um celular ou uma pulseira de mulheres entretidas com as compras diárias da comida para a família ou com o olho no relógio para pegar a próxima condução sem perder o período de validade do vale transporte.

Repercussão mesmo fica para alguns arrastões e tiroteios de maior intensidade ou com vítimas fatais, já que a habitualidade com que se repetem a remete às comunicações diretas pelos aplicativos de celulares, alertas mais imediatos para os riscos dos que estão na área dos conflitos.

Úteis sim, mas a exclusividade de tais comunicados impede a população, de um modo geral, de conhecer a continuidade do ambiente de insegurança geral.

As agendas de campanha dos presidenciáveis são mais ocupadas pela presença nas estações de rádio e Tv, onde não estão expostos ao ambiente violento da vida dos espectadores e ouvintes.

Há, portanto, uma enorme distância entre a sensação de segurança de uns e a de insegurança daqueles a quem pretendem representar.

Exceção foi o atentado a Jair Bolsonaro, cometido quando cercado de entusiasmados apoiadores e de policiais e poderia ter acontecido com qualquer outro. Foi um abominável ato de violência.

Violência e criminalidade têm conceitos distintos. A criminalidade atua para obter ganhos financeiros e a violência obedece à irracionalidade de ímpetos ocasionais.

Bolsonaro foi vítima da violência, insisto. À criminalidade continuamos expostos na luta diária nas casas ou pelas ruas das cidades.