Força Tarefa Contra Fraudes no Rio.

23 de setembro de 2018

Polícia, Ministério Público e Justiça têm o dever de organizar Força Tarefa para garantir a honestidade dos resultados eleitorais no Estado do Rio de Janeiro, onde se arquiteta uma operação fraudulenta que privilegiará a delinquência do caixa dois e do crime organizado.

Quarenta e oito horas antes das eleições encerra-se o prazo de propaganda eleitoral. Teoricamente, é um intervalo para os eleitores refletirem sobre o que viram, ouviram e a partir daí terem a paz para definir o voto.

Teoricamente, repito, porque esse é o momento em que mais se praticam crimes eleitorais.

Misturadas a reduzida parcela de militantes sinceros, voluntários e gratuitos, legiões de pessoas remuneradas com dinheiro não declarado invadem as ruas nas horas que precedem o encerramento da votação, dividindo-se entre o balançar de bandeiras nas calçadas e entregas diretas de material de propaganda em endereços determinados.

Haja dinheiro de “caixa dois” para sustentar essas máquinas.

Acrescente-se que, em atividades ilegais, campanhas organizam listas de endereços de eleitores e se entregam à tarefa de lhes impor o voto por meio de ameaças ou promessas de vantagens.

Também já circulam notícias seguras da pressão de prefeitos sobre funcionários municipais com os mesmos objetivos.

O número de votos prometidos é anotado nas listas e, se não houver coincidência aproximada com o resultado eleitoral, aplicam-se as penas.

É uma cópia mais sofisticada das práticas de milícias, com a diferença das penas.

Enquanto para servidores a ameaça é de retaliações funcionais, para outros é a de violências físicas.

A revelação prévia de que a trama já foi descoberta pode inibi-la e dar aos que são coagidos a praticá-la um instrumento para justificar a recusa.

As ações são mais abertamente praticadas em áreas socialmente críticas e pequenas cidades do interior, onde a influência de prefeitos é enorme.

Na prática do crime eleitoral, milicianos e políticos são sócios e igualmente delinquentes. Só não sei quem são os piores.

Vamos agir para neutralizar, pelo menos em parte, as violações às normas.

Repito como um mantra: o momento exige uma ação preventiva de serviços de inteligência, efetivos da Polícia, do Ministério Público e da Justiça, articulados em regime de prontidão, para prevenir, impedir ou autuar em flagrante os responsáveis pelas ameaças diretas ou dissimuladas a eleitores carentes que não lhes seguirem as ordens.

Que usem os meios de comunicação para prevenir a população e, depois, atuem para impor a lei.