Cadeia Ainda que Tarde.

12 de setembro de 2018

Primeiro foi Sérgio Cabral, Governador do Rio já condenado a mais de 150 (cento e cinquenta) anos de cadeia. Entre parêntesis botei por extenso para não parecer erro a soma das penas. Lendo o noticiário sobre os sucessivos períodos de poder de Cabral, não podemos dizer que fomos surpreendidos pela corrupção. Seguramente ninguém esperava que fossem tantos os casos.

No Paraná, está preso o Governador Beto Richa em processo que ainda lhe vai definir o grau de participação na roubalheira investigada pelo Ministério Público do Estado.

Agora, amanhecemos com as imagens da casa de Reinaldo Azambuja, Governador de Mato Grosso do Sul, vasculhada pela Polícia Federal em busca de provas de, novamente, corrupção.

Parece que, durante anos, os olhos fiscalizadores da imprensa ficaram voltados para as roubalheiras do dinheiro público no Governo Federal e desprezaram o que se passa nos Estados e Municípios.

Ao se aposentar, o editor do jornal americano New York Times deu uma entrevista e reconheceu que, se tivesse que começar de novo, faria o contrário do que praticou durante anos. Concentrou grande número de repórteres e investigações nos atos do Presidente da República e deixou de fazer a cobertura habitual do que se passava nos estados.

Parece que por aqui aconteceu o mesmo. Enquanto os espaços jornalísticos eram ocupados pela prisão de Eduardo Cunha, impeachment da Dilma e denúncias contra Michel Temer, os ratos estaduais se sentiram à vontade para roer os direitos e o dinheiro da população, a quem falta segurança, emprego, saúde, habitação, bom transporte público e tudo o mais.

O abandono do setor público é amenizado pela dedicação de servidores que pagam os mesmos sofrimentos pelos crimes dos governantes. A violência não separa as vítimas em categorias funcionais. Todos são alvos, especialmente as mulheres, como demonstram as estatísticas.

As operações policiais desencadeadas às vésperas das eleições são bem planejadas.
Ansiosos para manter o poder, os delinquentes se descuidam e permitem com maior facilidade a obtenção de provas.

Em vez de exclusivo desalento com o conhecimento dos fatos, tenho a alegria de saber que a impunidade cede lugar à cobrança social pelos sofrimentos impostos pela roubalheira.

Os fatos são passados e a hora é de punição.

A ação eficiente da Polícia e do Ministério Público revela que nem todos os olhares estavam desatentos. Apenas esperavam a hora certa de dar o bote.
Que não parem.