As Mãos que Moveram a Faca.

9 de setembro de 2018

Depois de saber que alguém foi vítima de um ato de violência, o primeiro desejo que manifestamos é que sobreviva e se recupere logo. O segundo é o da prisão e condenação do criminoso.

O atentado a Jair Bolsonaro faz circular um terceiro pensamento, amparado pela já comprovada movimentação do bandido por diversas cidades e, pelo menos uma vez, por Santa Catarina, onde se localiza o clube de tiro frequentado por seus filhos.

Terá o criminoso agido solitariamente ou foi manipulado e financiado por outras pessoas, cúmplices, que o municiaram de dinheiro e lhe passaram a faca para o ataque quase fatal?

O silêncio em torno das investigações é eloquente, mas os fatos virão à tona mais rapidamente do que se imagina, tantas são as pessoas dedicadas às apurações e um segredo passado aqui, outro ali, acaba ajudando a formar uma convicção.

Possuir celulares e laptop não é comum a desempregados que nas últimas ocupações receberam apenas um salário mínimo.

Mais incomum ainda é o pagamento do aluguel das acomodações, em Juiz de Fora, com 500 reais em dinheiro vivo.

No ambiente político-eleitoral as dúvidas são outras, de certa maneira simplistas, sempre voltadas para as pesquisas que indicarão o sentimento da população em relação ao fato e, mais especificamente, até que ponto a condição de vítima reduzirá a rejeição a Bolsonaro.

Antes do fator Juiz de Fora, o líder das pesquisas no primeiro turno perderia para todos os adversários, à exceção de Alckmin, no segundo.

Agora um enorme ponto de interrogação há de pairar sobre as campanhas. Vítimas sempre receberam solidariedade do povo e, ao que parece, as controvérsias acerca do papel de Bolsonaro na corrida presidencial terminaram ultrapassadas pela lâmina de uma faca.

De qualquer modo, uma nova campanha eleitoral começou e ninguém pode ter ideia aproximada de como terminará. A velocidade das investigações, com provas sólidas a determinar a extensão de eventual cumplicidade e as reais motivações do agressor é determinante para definir o nome do adversário de Bolsonaro no segundo turno, se houver.

A rearrumação das campanhas tem que levar em consideração a nova linguagem a ser usada nos horários eleitorais e nos debates.

A hipótese bem mais remota é Bolsonaro fora do segundo turno, desejada pela linguagem inclemente da Internet, que parece ferir a lógica.

De seu quadro clínico atual, percebe-se que ele irá pelo menos ao debate final, na TV Globo, a dois dias da eleição, mesmo que em cadeira de rodas.

Duvido do uso da cadeira em cena. Pareceria apelação eleitoral e o efeito poderia ser contrário ao candidato.

O centro atual da questão é saber quem moveu a faca que desfechou o golpe.

A Democracia precisa dessa resposta.