Agora, o Voto Útil é Inútil.

18 de setembro de 2018

Antes de termos a eleição de governantes em dois turnos, havia a pregação do voto útil. Era compreensível. Se uma tendência de pensamento apresentava um único candidato e as contrárias se dividiam em diversos postulantes, escolhia-se um desses para nele concentrar os votos e tentar derrotar o outro.

A eleição em dois turnos veio exatamente para acabar com o dilema do eleitor ou com boatos malévolos de que se não houvesse o voto útil, o adversário acabava ganhando.

Parece que encontramos o equilíbrio. No primeiro turno, o eleitor manifesta sua preferência original e, depois, com apenas dois candidatos no momento decisivo do segundo turno escolhe, por maioria absoluta dos votos válidos, aquele que mais se aproxima de seu pensamento.

Porém, a prática saudável pode ser manipulada para deprimir candidaturas em benefício de outras mais palatáveis a forças poderosas. No fundo, é uma ofensa ao direito dos eleitores sobre os quais é levianamente lançada a responsabilidade de um resultado indesejável ao futuro do País ou do Estado.

Os dois turnos servem aos cidadãos e não a candidatos.

Já se percebe o retorno aos dias atuais de comentários de tempos passados, para transferir votos “de quem não tem chance” para outros que podem despontar como favoritos.

Não tem chance de que? Teremos inicialmente um primeiro turno. É uma agressão aos incautos e uma ofensa à informação das pessoas que sabem muito bem como funciona o sistema. Talvez fosse mais fácil nos referirmos a duas eleições, para facilitar a compreensão dos que, de boa fé, ainda não perceberam a malignidade da manobra de políticos inescrupulosos. Uma é eliminatória. A outra é para definir o vencedor.

Ganhar ou perder faz parte do jogo democrático.

O que se tenta armar é um tapetão para organizar um segundo turno que antecipe a vitória de determinado nome, não importa qual, porque falo em tese.

Os que se habilitam à escolha popular merecem o respeito à verdade eleitoral.

A armação do voto útil distrai a atenção de muita gente, que deixa de exercer a própria vontade, manipulada pela malícia dos que dispõem de meios para influenciá-la.

A eleição não é um confronto de paixões. É momento decisivo para os anos vindouros, com o desejo de respeito aos direitos individuais e coletivos, paz e desenvolvimento.

Pregar o contrário é limitar a sentença decisória do povo, de quem emana todo o poder.

A notável falha dos que tentam ressuscitar o voto útil é o bom nível de politização das pessoas, cansadas de ser enganadas.

Suas convicções não pertencem a terceiros. Voto útil é o seu voto.