Sigam o Dinheiro.

29 de agosto de 2018

Cheguei atrasado a Macaé e Romário já se preparava para seguir com a campanha em Cabo Frio, onde o encontrei. Fiquei retido mais do que obrigava o engarrafamento na Estrada Niterói-Manilha a observar uma enorme operação do Exército na área dos Salgueiros, como preferem alguns para não confundir com o glorioso Morro do Salgueiro, na cidade do Rio de Janeiro, onde ficava a Quadra Calça Larga, da Escola de Samba da comunidade.
Do topo do Morro do Salgueiro descortina-se uma bela vista da Baía de Guanabara e nos Salgueiros o que se observa é um conglomerado de habitações de padrões deploráveis, cenário de abandono total.
Os soldados desciam disciplinados de inúmeros caminhões e não se ouviam estampidos de tiros. Parecia mais uma busca por alguém determinado, já que nas imediações ocorrem inúmeros arrastões em que os bandidos aproveitam as horas de rush, mesmo nos fins de semana.
Deti-me a observar o que se passaria e me espantei que tamanha operação não tivesse a presença da imprensa.
Deduzi que o anúncio aos meios de comunicação poderia afastar o fator surpresa, necessário aos objetivos pretendidos.
Pelo número de homens via-se que tal cerco pacífico seria impraticável sem a presença das Forças Armadas.
Chegamos a esse ponto graças à corrupção administrativa que desqualificou governos estaduais e afetou o respeito às autoridades policiais.
Aliás, a continuidade dos assassinatos já causa vítimas também entre os militares, em demonstração cabal que a bandidagem quer mostrar quem manda no Estado.
Os cidadãos que já viviam alarmados não são mais os únicos a sentir na pele o sofrimento da insegurança.
À morte de policiais juntam-se agora as mortes de outros que ostentam a farda do Exército.
Inimaginável.
A cooperação de forças estaduais e federais tem que continuar no próximo ano. O trabalho de confronto imediato com o crime levará tempo, mas tem que ser implacável.
Atribuir-se a violência à pobreza é desrespeito aos pobres, que trabalham como conseguem para sustentar as famílias.
O crime tornou-se um grande negócio e sem interromper o fluxo da lavagem do dinheiro a ousadia bandida compensará.
Não há de ser muito difícil aos serviços de inteligência cruzar dados dos últimos cinco anos sobre alterações de contratos sociais de empresas ou da criação de novas.
O volume de notas miúdas procedentes dos mais variados tipos de crime não pode transformar-se como num passe de mágica em pacotes plastificados vistos em filmes ou apreensões feitas pela polícia.
Vale a máxima: sigam o dinheiro.