Madrugada na Central do Brasil

16 de agosto de 2018

Às cinco da manhã de hoje, noite escura, iniciei e campanha na estação da Central do Brasil, onde conheci o taxista Zenildo, que há cinquenta anos faz ponto no local.

Zenildo me falou da falta de segurança nas imediações e hoje ele só fica tranquilo quando está com o carro parado no ponto, porque do outro lado da rua está o Comando Militar do Leste, também sede da intervenção federal no Rio.

Aos poucos, os passageiros começaram a descer dos trens rumo ao trabalho, com apressados e gentis acenos, na maioria, e outros de modo igualmente civilizado a imprecar contra a política em geral.

Dos que dispunham de alguns minutos para uma breve frase, percebi uma constante preocupação. Impressionou-me o sentimento comum de insegurança, especialmente entre as mulheres.

O assunto não é novidade nas rodas de conversa do Rio, mas ouvido insistentemente entre pessoas que não se conhecem e chegam de destinos diversos, demonstra que os riscos são maiores nas comunidades mais desassistidas da região metropolitana.

Os furtos vão de celulares a quentinhas com o almoço do dia.

Para esses moradores das áreas mais remotas parece que os efeitos da intervenção ainda não chegaram, como disse Zenildo.