Contra o Crime, a Força.

O crime tem que ser combatido pela Polícia, com a força do Estado, não há discussão razoável contrária a isso. Leio trabalhos que associam o crime à pobreza e descubro o desconhecimento social de certos autores que ignoram a realidade do que escrevem.

Involuntariamente, acabam lançando suspeitas sobre os carentes de todas as cores, muito mais numerosos do que a parcela da população que completa o conjunto do povo. Os trabalhadores e desempregados são pobres e abominam o crime. Eles mesmos são vítimas de dupla violência: dos bandidos e de maus policiais.

Torna-se muito charmoso debitar o aumento da criminalidade a causas sociais. A criminalidade aumenta porque lhe faltam combate eficiente e justiça ligeira. Nosso Código de Processo Penal está ultrapassado. O crime virou um bom negócio.

O direito processual penal precisa acompanhar as transformações ditadas pela realidade. Ritos sumaríssimos podem ser aplicados aos casos de indiscutível prisão do autor do delito, sem as incontáveis petições e prazos que acabam resultando em habeas corpus, desviado de sua função sagrada.

A Lei que definia os crimes de responsabilidade, de autoria do saudoso Deputado Bilac Pinto, era precisa na ligeira punição de transgressores. Em cerca de uma semana estavam julgados os casos,

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Memórias do Futuro.

A cada quatro anos o povo escolhe deputados e por onze vezes fui eleito em meu Estado, motivo de grande orgulho.

Olho para trás e me pergunto se fiz a diferença. Creio que sim, sem falsa modéstia. Agora, me lanço à disputa ao Senado.

Somos um colegiado de 513 deputados e a voz de muitos deles fez a diferença, não é exclusividade minha.

Percebi que a impunidade não impunha limites aos ladrões públicos e outros tipos de criminosos. Criei a colaboração premiada, detestada pelos corruptos que a apelidaram de delação, para desqualificá-la. Delatores não são bem vistos. O apelido acabou pegando entre os de boa fé.

Da experiência acumulada pude perceber as manobras para anistiar o uso de caixa dois em campanhas eleitorais. As Sessões se sucediam sem deliberação, mas os trabalhos não eram encerrados. Isso me chamou a atenção e redobrei a vigilância.

Não foi em vão. Esperava-se o momento certo para, na calada da noite, aprovar um projeto fantasma concedendo anistia criminal aos políticos que usaram em campanha dinheiro ilegal. Até a programação da TV Câmara foi desviada do Plenário. Reclamei e a transmissão foi retomada.

Inicialmente voz solitária, contrária a tal decisão, aos poucos ganhei adeptos que

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Agora, o Voto Útil é Inútil.

Antes de termos a eleição de governantes em dois turnos, havia a pregação do voto útil. Era compreensível. Se uma tendência de pensamento apresentava um único candidato e as contrárias se dividiam em diversos postulantes, escolhia-se um desses para nele concentrar os votos e tentar derrotar o outro.

A eleição em dois turnos veio exatamente para acabar com o dilema do eleitor ou com boatos malévolos de que se não houvesse o voto útil, o adversário acabava ganhando.

Parece que encontramos o equilíbrio. No primeiro turno, o eleitor manifesta sua preferência original e, depois, com apenas dois candidatos no momento decisivo do segundo turno escolhe, por maioria absoluta dos votos válidos, aquele que mais se aproxima de seu pensamento.

Porém, a prática saudável pode ser manipulada para deprimir candidaturas em benefício de outras mais palatáveis a forças poderosas. No fundo, é uma ofensa ao direito dos eleitores sobre os quais é levianamente lançada a responsabilidade de um resultado indesejável ao futuro do País ou do Estado.

Os dois turnos servem aos cidadãos e não a candidatos.

Já se percebe o retorno aos dias atuais de comentários de tempos passados, para transferir votos “de quem não tem chance” para outros que

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Martin Luther King Sem Internet.

Trabalho com tecnologia há muitos anos, desde quando cérebro eletrônico começava a trocar de nome para computador. As informações eram transmitidas por cartões perfurados, que antecederam os teclados de hoje.

Internet, nem pensar. O começo veio com um programa da EMBRATEL chamado de REMPAC, de utilização difícil e limitada a algumas informações, em especial do IBGE. Era o máximo dos máximos.

Para enaltecer o avanço tecnológico da novidade, um presidente da gigante IBM disse em exaltada proclamação que o mundo chegaria a ter, em breve, seis dessas máquinas. A imprevisão está perpetuada entre os que atuam com informática.

A aceleração das tecnologias ainda não estava calculada devidamente e agora os meninos – de até setenta anos- inventam aplicativos que permitem enxergar, na tela do telefone, até a farmácia mais próxima de onde estamos.

Chico Buarque ficou horrorizado com sua primeira experiência na Internet. Grande ídolo, foi xingado como nunca imaginou e gravou mensagem bem humorada sobre a experiência, que pode ser encontrada na rede.

Parece que a virulência da linguagem começa a diminuir satisfatoriamente e a rede mundial de computadores passa a servir ao salvamento de vidas, com a oferta de remédios, de órgãos humanos para doação e para a

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Campanha Virou Desenho Animado.

Os horários eleitorais no rádio e Tv foram criados na ditadura e usados pela primeira vez nas eleições parlamentares de 1966, época do bipartidarismo – ARENA e MDB-, quando Presidente e Governadores eram impostos pelos comandos militares de então.

Apesar de a maioria arenista ser esmagadora, o tempo era igual para os dois partidos, na lógica simples de afirmar que eleições deviam definir o futuro e os resultados passados não podiam ser levados em conta na oferta de oportunidade aos postulantes do voto popular.

Vivíamos um simulacro de democracia, é verdade, para que se afirmasse ao mundo que no Brasil havia eleições. Alguns críticos chamavam-na de democracia relativa. O saudoso Hélio de Almeida, ex-ministro do deposto Presidente João Goulart, ironizava: -“ Democracia é como gravidez. Não pode ser relativa”.

Dos quartéis, jovens oficiais já começavam a colaborar com a oposição, com análises e informações que, de tão certeiras, ajudavam a planejar as campanhas e levaram a população a lhe conceder esmagadora vitória em 1974, quando o MDB elegeu 16 Senadores, dos 22 assentos em disputa. A ditadura começava a cair.

A reação veio em 1976, quando o horário eleitoral passou a permitir apenas a exibição de fotos, nomes e currículos

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Capitalismo Moreno.

Daqui a dez dias completam-se dez anos da crise financeira norte-americana que abalou economias mundiais. A rigor, a crise não tem dia determinado, porque foi um período de especulação financeira no mercado imobiliário. A data de 25 de setembro marca os protestos do povo em Wall Street, rua em que se concentram as sedes de grandes e variados tipos de bancos. Por lá, é o centro nervoso ou o coração do aparelho circulatório do dinheiro.

Com juros em patamar inferior à inflação, era fácil comprar duas ou três casas financiadas em 30 anos, alugá-las, pagar as prestações dos empréstimos e, por fim, acumular um bom dinheiro no fim do mês.

Como a felicidade não é eterna, um dia os juros subiram, as prestações dos empréstimos não foram pagas e os bancos retomaram as casas que acabaram vendidas a preços baixos, depois de muito tempo, porque os impostos e a manutenção de tantos imóveis eram insuportáveis. Era mais negócio livrarem-se deles.

A crise contaminou outros setores da economia e ultrapassou as fronteiras norte-americanas porque houve uma perda de confiança no sistema financeiro.

O governo americano entrou com centenas de bilhões de dólares no socorro aos bancos quebrados, em negociações que já

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Contra Ditadura, Supremo ou as Ruas.

De 14 a 22 de setembro parecem se contrapor um curto a um longo espaço de tempo, cada qual medido pelas necessidades a que se aplicam.

No calendário, o período está a demonstrar o dia em que vence aquela prestação implacável ou, ao final, o dia em que começa a primavera.

Anda lento esse inverno político, que não terminará necessariamente com a chegada da primavera.

Todos temos a liberdade de expressar nossas opiniões e o bom senso deve impor cautelas aos que têm responsabilidade pública. Opiniões de pessoas influentes sinalizam a organização do futuro da população e, a depender da boca por onde se expõem, podem trazer intranquilidade geral. Se as coisas andam ruins, é bom entender que podem piorar.

Nossos direitos e deveres derivam da Constituição e assim é nos demais países civilizados. Para fazê-la, o povo elege pessoas que representam ideias diferentes e, ao final, vota-se o texto e ganha a proposta que tiver mais votos. Ninguém a considerará perfeita, jamais.

Constituinte é o Poder Originário, aquele se organiza pela vontade do povo com o propósito de construir a Constituição.

Após a Independência, o Imperador D. Pedro I não gostou do trabalho da Assembléia Constituinte e a dissolveu,

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Os Crimes Continuam.

Parece haver uma conspiração contra as pessoas inseguras pelos índices crescentes de criminalidade a vitimar indistintamente a todos e, em maior quantidade, as mulheres.

No período eleitoral, os espaços na mídia e o tempo dos jornalistas estão mais voltados para as sabatinas, entrevistas e debates com candidatos, enquanto governantes aplicam-se à vitória de seus preferidos.

Há um vazio na preocupação com o que está se passando no mundo real, onde se multiplicam as ousadas investidas de pivetes ágeis no ato de arrancar um cordão, um celular ou uma pulseira de mulheres entretidas com as compras diárias da comida para a família ou com o olho no relógio para pegar a próxima condução sem perder o período de validade do vale transporte.

Repercussão mesmo fica para alguns arrastões e tiroteios de maior intensidade ou com vítimas fatais, já que a habitualidade com que se repetem a remete às comunicações diretas pelos aplicativos de celulares, alertas mais imediatos para os riscos dos que estão na área dos conflitos.

Úteis sim, mas a exclusividade de tais comunicados impede a população, de um modo geral, de conhecer a continuidade do ambiente de insegurança geral.

As agendas de campanha dos presidenciáveis são mais ocupadas pela

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Cadeia Ainda que Tarde.

Primeiro foi Sérgio Cabral, Governador do Rio já condenado a mais de 150 (cento e cinquenta) anos de cadeia. Entre parêntesis botei por extenso para não parecer erro a soma das penas. Lendo o noticiário sobre os sucessivos períodos de poder de Cabral, não podemos dizer que fomos surpreendidos pela corrupção. Seguramente ninguém esperava que fossem tantos os casos.

No Paraná, está preso o Governador Beto Richa em processo que ainda lhe vai definir o grau de participação na roubalheira investigada pelo Ministério Público do Estado.

Agora, amanhecemos com as imagens da casa de Reinaldo Azambuja, Governador de Mato Grosso do Sul, vasculhada pela Polícia Federal em busca de provas de, novamente, corrupção.

Parece que, durante anos, os olhos fiscalizadores da imprensa ficaram voltados para as roubalheiras do dinheiro público no Governo Federal e desprezaram o que se passa nos Estados e Municípios.

Ao se aposentar, o editor do jornal americano New York Times deu uma entrevista e reconheceu que, se tivesse que começar de novo, faria o contrário do que praticou durante anos. Concentrou grande número de repórteres e investigações nos atos do Presidente da República e deixou de fazer a cobertura habitual do que se passava nos estados.

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Ditadura Nunca Mais.

Quem achava que já tinha visto ou lido de tudo na política eleitoral percebe que sempre podemos ser surpreendidos pelos fatos.

Lula (PT) preso a defender o direito de ser candidato e o governador do Paraná, Beto Richa, (PSDB) preso sob suspeita de corrupção.

PT e PSDB revezam-se no Poder desde 1974 e os dois partidos chegam à reta final das eleições com traumas a administrar. Acrescente-se à confusão a facada em Jair Bolsonaro, que quase lhe tirou a vida.

A confusão que daí resulta nas demais campanhas e mesmo na formação da convicção dos eleitores é compreensível. Chego à conclusão que a campanha está por começar, ou recomeçar, com novos ingredientes no tabuleiro de cálculos.

Relevante é analisar tais novidades e manter a cabeça fria para definir, com o voto, o futuro do País.

Hoje temos a indesejável situação de insegurança, desemprego e instabilidade política que não poderá se prolongar sob pena de deixarmos sob dúvida indevida o regime democrático.

Ditaduras geram crises, não as resolvem. Sempre que se vive uma, o País sai pior e as histórias de violações a direitos enchem de horror o pesadelo das pessoas que tiveram filhos sacrificados por torturadores.

A solução é mais

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Democracia, Fome e Crime.

Para setenta por cento da população, que ganham menos de três salários mínimos, Democracia é comida na mesa, por mais surpreendente que possa parecer a conclusão assim resumida por professores, sociólogos e outros especialistas dedicados a estudar o pensamento político de nossa Nação.

A quem surpreende tal conclusão?

Humildemente lhes digo que não a mim.

Jamais usei histórias de minha origem muito pobre para emocionar eleitores e acho descaramento políticos o fazerem, a carregar nas tintas de sofrimentos ultrapassados.

Minha infância foi muito pobre e muito feliz, com os brinquedos que improvisava e as peladas jogadas descalço em ruas calçadas com paralelepípedos entre os quais se alojavam pequenos cacos de vidro a nos ferir os pés.

No suicídio de Getúlio Vargas, fui apanhado por minha falecida mãe na Escola Carmelitana Santo Alberto, na Lapa, e percorremos a passos muito largos, corridos mesmo, o caminho para casa na Rua Acre, imediações da Praça Mauá.

Os grupos que manifestavam revolta contra a morte do líder pareciam-me multidões, na ampliação dos olhos infantis assustados com o quebra-quebra que faziam em lojas que mantinham suas portas abertas.

A primeira notícia a circular é que haviam matado Getúlio, o “Pai dos Pobres” e a comoção

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As Mãos que Moveram a Faca.

Depois de saber que alguém foi vítima de um ato de violência, o primeiro desejo que manifestamos é que sobreviva e se recupere logo. O segundo é o da prisão e condenação do criminoso.

O atentado a Jair Bolsonaro faz circular um terceiro pensamento, amparado pela já comprovada movimentação do bandido por diversas cidades e, pelo menos uma vez, por Santa Catarina, onde se localiza o clube de tiro frequentado por seus filhos.

Terá o criminoso agido solitariamente ou foi manipulado e financiado por outras pessoas, cúmplices, que o municiaram de dinheiro e lhe passaram a faca para o ataque quase fatal?

O silêncio em torno das investigações é eloquente, mas os fatos virão à tona mais rapidamente do que se imagina, tantas são as pessoas dedicadas às apurações e um segredo passado aqui, outro ali, acaba ajudando a formar uma convicção.

Possuir celulares e laptop não é comum a desempregados que nas últimas ocupações receberam apenas um salário mínimo.

Mais incomum ainda é o pagamento do aluguel das acomodações, em Juiz de Fora, com 500 reais em dinheiro vivo.

No ambiente político-eleitoral as dúvidas são outras, de certa maneira simplistas, sempre voltadas para as pesquisas que indicarão o sentimento

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Jovens Mostram o Caminho.

Os jovens foram à luta e, no primeiro semestre do ano, 800 mil MEIs – Micro Empresas individuais – foram lançadas por empreendedores, dos quais perto de 20 por cento não têm conta bancária.

Os dados são da Serasa Experian e revelam a percepção de mudança da cara do emprego no Brasil.

O País deixou de lado investimentos em educação capazes de empregar mão de obra qualificada e cada um procura usar a criatividade para ganhar a vida.

A crise econômica, associada à mecanização das atividades industriais, se reflete no mercado de trabalho e reduz a oferta de vagas.

Assim como a agroindústria brasileira acelerou o crescimento com crédito bancário e assistência tecnológica, os micro empresários individuais podem ter à disposição a mesma receita, até a partir do BNDES, com juros subsidiados.

O financiamento individual soma volumes pequenos de dinheiro e serve mais para a sobrevivência dos jovens empreendedores, aplicados no próprio talento à criação de aplicativos.

Mais: espaços coletivos devem ser criados nas cidades para organizar um ambiente favorável à concentração no trabalho, ao convívio com os outros voltados para a mesma preocupação, à troca de informações e até à formação de sociedades que impulsionem os novos negócios.

A

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Bolsonaro é Vítima, Mesmo.

Atacado a faca, Bolsonaro chegou ao hospital quase morto, posso lhes afirmar. Agora, todos torcemos pela sua recuperação e presença na máquina de votar no dia das eleições.

Ganhar ou perder faz parte da democracia. Ser retirado da disputa na marra, não. Fez ele muito bem em continuar a campanha mesmo no leito do hospital, onde agradeceu a sobrevivência aos médicos e a Deus. Sou católico, mas Deus é um só e compartilho de sua fé.

Analisar o que se passou na cabeça do criminoso será tarefa para psiquiatras forenses ou, se foi encomendado por algum seguimento político, trabalho para a Polícia.

A visibilidade do episódio é símbolo dos ataques diariamente temidos, tentados ou sofridos pela população.

Facas e até cacos de vidro são armas usadas por delinquentes nos assaltos do dia a dia do Rio de Janeiro. A sensação de impunidade estimula o crime.

No caso de Bolsonaro, a prevalecer a tese de ação isolada do agressor, podemos estar diante da doentia busca de notoriedade de um psicopata, como o assassino de John Lennon, que se confessou fã da famosa vítima.

Vê-se por esse e outros episódios passados como podem ser falhas as teorias que procuram relacionar agressões com

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Forças Armadas e Democracia.

O Dia da Pátria é mais abençoado quando próximo do fim de semana organiza um feriadão.

Mesmo que por um breve momento, são devidas homenagens aos que lutaram e morreram para que construíssemos um País distante de guerras e outros conflitos externos.

Desde o fim da segunda guerra mundial, no distante 1945, nossos conflitos são internos, com a violência e a criminalidade a assombrar a população, por um lado e, por outro, com golpes e contragolpes que mantiveram claudicante a democracia à brasileira, até recentemente.

As experiências vividas são descritas em incontáveis livros de pesquisadores irreparáveis, com um ponto em comum: no fim das contas as leis eram esmagadas pelos que detinham a força das armas.

Do passado, muito mudou. Aliás, o principal mudou.

A consciência democrática das Forças Armadas tranquiliza a Nação, expressando-se muito claramente pelo absoluto respeito à Constituição.

Aí está o principal eixo da mudança.

Políticos que batiam à porta de comandantes militares para instigar quarteladas acabam de pé do lado de fora, barrados pelos princípios da Lei maior do País.

Com todos os casos de corrupção e a insegurança crescente da população com medo de sair às ruas, tentativas houve de usar a força para interromper

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Marina Sem Medo.

Serena como habitual, Marina falou por uma boa meia hora sobre a importância da cultura na formação das pessoas, desde os primeiros momentos possíveis.

Da maneira como lhe fluíam as palavras, percebia-se que, em boa parte ela falava da própria vida, ao conhecer primeiro o que lhe estava à disposição dos sentidos, para sobrevivência no Acre amazônico, até que aos 16 anos foi à escola, alfabetizou-se, tornou-se professora e nunca mais parou de estudar.

O Galpão de Marcos Nanini, na Zona Portuária do Rio, estava repleto de artistas militantes da promoção da cultura e, como explicou Marcos Palmeira, ao abrir os trabalhos, o ato era desprovido de caráter eleitoral.

Não se tratava de pedido de votos ou apoio, dedicado que era à percepção dos pensamentos de Marina sobre a organização do setor.

Os aplausos que entrecortaram o discurso, as respostas às perguntas de Kássia Kiss, Maitê Proença – compartilhando o palco- de outros da plateia e, ao final, com todos de pé a se manifestarem pela candidatura Marina Silva, o apoio ficou óbvio.

À parte dos temas relacionados à importância da educação e da cultura, em associação indissolúvel, ouvimos de Marina um vigoroso manifesto pela resistência às imposições do sistema

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Lágrimas de Papel.

 

Se fossem verdadeiras, as lágrimas escritas pelas autoridades em lamentos propagandísticos teriam apagado o incêndio do Museu da Quinta da Boa Vista.

Só que as lágrimas não foram derramadas e se o fossem, também seria fora de hora. Além do mais, papel não apaga incêndio. Lágrimas sinceras afloravam de populares, antropólogos, museólogos, professores e outros intelectuais de vários matizes, que previam o desastre há muito tempo.

Governos desprezaram a História, a cultura e as sementes do saber que lá estavam dispostas a ajudar no conhecimento para construção do futuro.

A Quinta da Boa Vista é um belo parque de reuniões tradicionais de famílias de trabalhadores em fins de semana, cenário que se altera ao escurecer, no lado externo das grades de proteção, com a farta oferta de craque e o ajuntamento de viciados e prostitutas pobres.

Verifica-se agora que a grade não mudava o descaso oficial com o recanto e sua maior preciosidade, na paisagem bucólica adornada por um lago.

Memórias de infância não se perderão, mesmo quando pouco se compreendia do relevo do que estava abrigado no prédio incinerado.

Erro grosseiro de quem tem o dever de zelar pelo bem público é conduta punível.

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Evitar a Tragédia

O incêndio do Museu da Quinta da Boa Vista queimou parte da História. Qual o tempo entre a fagulha e a tragédia que provoca? O mesmo acontece com o voto e a destruição do futuro. Temos que nos prevenir. Rebelem-se.

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Rebelem-se.

A energia do monumento a Zumbi dos Palmares, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, robusteceu os corpos cansados de dias a fio de campanha eleitoral com longas caminhadas para panfletagens, palestras, comícios e engarrafamentos no trânsito entre uma e outra cidade do Estado.

Nesse fim de semana acompanhei Marina Silva desde a manhã de sexta-feira até a noite de sábado, em sucessivos compromissos que compunham um mosaico com empreendedores bem sucedidos, donas de casa, outros trabalhadores e aturdidos desempregados.

A questão fora da rotina é a simbologia atual de Zumbi dos Palmares, a unir a ancestral rebeldia contra a escravidão com a necessidade atual de rebeldia pacífica do povo brasileiro de todas as cores e origens contra as novas formas de escravidão.

Do alto de seu monumento o símbolo parecia chamar a atenção para o momento que vivemos. Escravos da corrupção política, da violência, dos trens lotados, dos transportes em geral que faltam em condições e horários civilizados a consumir de três a quatro horas o deslocamento de casa ao local de trabalho.

Estivemos em Nova Iguaçu, São João de Meriti e Caxias, de onde partimos para Fundição Progresso, já na cidade do Rio de Janeiro. Em todos os lugares

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Marina começa a falar na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro.

Propostas calcadas em Propósitos.

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Cuidado Com o Voto.

Ontem, quinta-feira, foi dia de Marina Silva ser entrevistada no Jornal Nacional e, depois, no Jornal das Dez, da TV Globo, por onde passaram ao longo da semana outros candidatos à Presidência da República.

Na van que nos levou à estação Marina exibia a mesma tranquilidade de sempre, repassando na memória os números precisos das áreas administrativas.

Todos temos consciência que agora começa o massacre de propaganda organizado pelo sistema partidário, sócio do poder que agrava ano a ano as dificuldades do povo.

Em vez de ceder diante da quase intransponível muralha dos horários eleitorais, Marina parece robustecida para encarar a mais desigual das lutas, no Rádio e Tv, nos horários pagos, como sempre, pelo povo.

Está na percepção dos eleitores a possibilidade de entender esse jogo do sistema. A tentativa de impedir que dê certo reside exatamente em saber que a propaganda só diz o que interessa ao dono do horário e as imagens editadas com as melhores tecnologias irão se desfazer depois do voto, se eles acabarem ganhando.

Inicia-se o grande momento. A Constituição dispõe que todo poder emana do povo.

É bom não cair na propaganda enganosa e votar com muita consciência, no exame criterioso da vida

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Descabelado pelo vento que pegamos até o abrigo dessa rua em Cabo Frio, fiquei com inveja do corte do Romário.

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Sigam o Dinheiro.

Cheguei atrasado a Macaé e Romário já se preparava para seguir com a campanha em Cabo Frio, onde o encontrei. Fiquei retido mais do que obrigava o engarrafamento na Estrada Niterói-Manilha a observar uma enorme operação do Exército na área dos Salgueiros, como preferem alguns para não confundir com o glorioso Morro do Salgueiro, na cidade do Rio de Janeiro, onde ficava a Quadra Calça Larga, da Escola de Samba da comunidade.
Do topo do Morro do Salgueiro descortina-se uma bela vista da Baía de Guanabara e nos Salgueiros o que se observa é um conglomerado de habitações de padrões deploráveis, cenário de abandono total.
Os soldados desciam disciplinados de inúmeros caminhões e não se ouviam estampidos de tiros. Parecia mais uma busca por alguém determinado, já que nas imediações ocorrem inúmeros arrastões em que os bandidos aproveitam as horas de rush, mesmo nos fins de semana.
Deti-me a observar o que se passaria e me espantei que tamanha operação não tivesse a presença da imprensa.
Deduzi que o anúncio aos meios de comunicação poderia afastar o fator surpresa, necessário aos objetivos pretendidos.
Pelo número de homens via-se que tal cerco pacífico seria impraticável sem a presença das Forças Armadas.

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Policial Morto Vira Estatística.

Ainda cursava o ensino médio quando fui trabalhar como repórter auxiliar no jornal A NOITE, potência informativa de outras épocas que construiu o primeiro prédio de concreto armado que ainda se ergue na Praça Mauá, no Centro do Rio de Janeiro, de onde saiu Irineu Marinho para fundar O GLOBO.
Era o ano de 1962. Eu ainda não completara 17 anos e acompanhava experimentados repórteres na cobertura de acontecimentos do dia. Circulávamos de ônibus. Já na decadência, com a sede na Cinelândia, o jornal não possuía carros para deslocamentos da reportagem.
Sem carros e sem imaginar que haveria no futuro telefones celulares, os roteiros eram traçados para trazer o maior número possível de notícias até às oito da noite, quando a redação era ocupada pelos redatores na preparação da edição do dia seguinte.

As redações da época eram ruidosas com o matraquear das máquinas mecânicas de escrever, os palavrões nada poupados, os gritos do chefe de reportagem e as bolas de papel arremessadas contra quem estivesse mais compenetrado.

As histórias são inúmeras, mas fico por aqui para me deter no momento em que havia a consternação geral. A informação de um policial executado era lamentada e a perseguição ao assassino,

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O Tombo da Motocicleta.

Já em Três Rios, deparei-me com uma escadaria que me separava do salão em que se reunia cerca de quatrocentas pessoas, dessa e de outras cidades do Médio Paraíba.

Subia-a fingindo facilidade.

Reencontrei amigos e um eles, o Márcio, foi implacável: – “Tem andado de moto?”.
Há tempos, em Sepetiba, na cidade do Rio, ele me emprestou sua moto para uma volta e a manobra em declive em chão com muitos grãos de areia foi desatenta e me levou ao chão, felizmente em baixa velocidade, quase parada.

A moto ficou sobre minha perna esquerda e me provocou fissura na tíbia, cujas pontadas eventuais de dor tornam o episódio inesquecível, mas ele não precisava lembrar.

Teve, porém, a delicadeza de fazê-lo durante o abraço, ao pé do meu ouvido.

A moto não sofreu danos.

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A Cabra do Nelson Rodrigues

Caminhar pelo Estado provoca devaneios para quem vive trancado no Plenário sem janelas da Câmara dos Deputados. Ainda em São José, olhando a paisagem, fui despertado para uma cabra solitária em meio ao terreno contíguo ao da reunião que iria começar. Fui até ela, com a lembrança de Nelson Rodrigues e a cabra que pastava em terreno baldio, que virou personagem de inúmeras crônicas do saudoso escritor.

Sem muita esperança de acariciá-la aproximei-me e, para minha surpresa veio até mim, que não sabia estar sendo observado por um grupo de pessoas, seguramente achando esquisito visitar a cabra.

Só quando ela veio até minha mão é que percebi que me olhavam, porque aplaudiram, mas espantaram a cabra. Vejam só:

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Em São José do Vale do Rio Preto

São José do Vale do Rio Preto foi uma das cidades devastadas pela tempestade que se abateu sobre a Região Serrana e de lá para cá parece que nenhuma providência foi tomada para restabelecer a normalidade da vida das pessoas.

A sobrevivência é garantida pela iniciativa dos próprios cidadãos, na economia girada pela produção de frangos, ovos e chuchu, nas quais há emprego para quem quer trabalhar.

A rotina é tocada sem a expectativa da juventude aprender as evoluções tecnológicas que já deveriam estar incorporadas ao sistema de ensino.

Os produtores reclamam das estradas vicinais precaríssimas e dos assaltos a caminhões que lhes levam a carga, o dinheiro e o suor do trabalho.

As diversas modalidades de violência e criminalidade parecem comuns em todo o Rio, mas as esperanças persistem e os próprios produtores estão se cotizando para melhorar os caminhos de escoamento da produção.

Perder o otimismo, jamais, como revela o Leandro:

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Ivanise Bióloga e Petroleira de Coração

Ivanise Sena é bióloga ambiental, candidata a Deputada Estadual, número 19963, e vem de lutas com os petroleiros de Macaé, cidade em cuja projeção situam-se diversas plataformas de exploração do óleo.
A militância trabalhista dotou-a de desembaraço na abordagem de pessoas e no discorrer de suas motivações à candidatura.

Já que comecei a entrevistá-la, seria grave indelicadeza atender a meus impulsos de voltar para a panfletagem, cujas equipes já se distanciavam, seguindo os passos ligeiros e os dribles do Romário aos obstáculos do caminho.

Mas conforto-me ao abrir espaço para uma candidata mulher que, ao receber cópia do vídeo antecipou-se a mim, ágil, publicando-o em suas redes sociais. Paciência. Por outro lado, bom sinal. Se no mandato for ligeira na fiscalização do interesse público como se revela na campanha, teremos uma boa deputada. E falante:

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Cinelândia, Palco de Cultura, Alegria e Tragédias.

A caminhada na manhã de quinta-feira pela Cinelândia foi igualmente proveitosa.

Cheguei antes do Romário e me dediquei a fazer uma pequena reportagem sobre o conjunto arquitetônico e a uma breve história do local de tantos acontecimentos.

Depois que Romário chega a confusão fica geral, com jornalistas e populares a cercá-lo por diversificadas razões. Os repórteres no seu ofício de perguntar sobre projetos de governo e os demais cidadãos a querer cumprimentá-lo ou fazer uma self de recordação.

E aqui mostro meu momento de “Profissão Repórter”, para depois exibir a entrevista com Ivanise Senra, uma lutadora, bióloga ambiental ligada ao movimento dos petroleiros. Aí vai.

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Aflições de Candidato.

Computadores são ótimos, exceto quando pensam que podem agir sozinhos. Além do mais, escrevo meus textos entre os inconciliáveis horários de campanha eleitoral. Todas as vírgulas intrometidas e as crases duvidosas são de minha exclusiva autoria e por isso eventuais atrasos em postagens.
Hoje, com a pressa de escrever antes de ir para as ruas, descobri que meu laptop decidiu se atualizar. E tome de tempo diante da tela que ia e vinha na sinalização do tempo que faltava para terminar, sem terminar jamais.
Finalmente, consigo recuperar as principais atividades dos últimos dias, quando muita coisa agradável aconteceu e resumo de modo precário, para desenvolver em outro momento.
Muitas horas foram perdidas com as burocracias necessárias ao cumprimento da lei eleitoral. A abertura de contas de campanha me tomou duas manhãs e tardes no aguardo do sistema que caiu no Banco do Brasil e, não fosse o profissionalismo e preparo dos funcionários, eu lá ainda estaria à espera das condições para imprimir o primeiro material de propaganda.
Aproveitei as noites e, na segunda feira, fui à Ilha do Governador com Romário, no evento organizado pelo candidato a Deputado Federal Ezequiel Teixeira, número 7979, do Podemos, que reuniu cerca de quatrocentas

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